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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ao cobrar pauta, presidente do Sindsemp escancara situação a vereadores


servidores_640x480A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Petrolina (Sindsemp), Léia Araújo, descreveu um verdadeiro quadro de penúria pelo qual estão passando os funcionários do município. O relato foi feito durante sessão ordinária de ontem (14), na Casa Plínio Amorim, onde Léia e sua equipe do Sindsemp foram pedir apoio dos vereadores ao movimento grevista deflagrado pela categoria na semana passada.
Por meio de um retroprojetor, Leia mostrou a situação dos guardas municipais, que têm apenas quatro coletes à prova de bala – e comprados do próprio bolso. Revelou ainda que os guardas estão sem fardamento e os agentes da Empresa Petrolinense de Trânsito e Transporte Coletivo (EPTTC) são obrigados a empurrarem a viatura que dá problemas quando estão fazendo rondas.
Isso é uma vergonha para Petrolina”, desabafou. Ela mostrou também o prédio da EPTTC, o qual está com o piso cedendo e apresentando rachaduras por toda parte. “Dá pra passar um envelope pelas rachaduras”, disse Léia. A lista de problemas apresentados pelo Sindicato tem ainda uma unidade de Atendimento Multiprofissional (AME) com obras paralisadas, banheiros de escolas da rede municipal sem condições de uso e postos de saúde precários.
Segundo Léia, “nada disso é novidade”, já que desde setembro de 2012 o Sindsemp vem tentando um diálogo sobre o Executivo, não só sobre o reajuste de salários, como também as condições de trabalho dos servidores.
A presidente afirmou ainda que o Sindicato chegou a reduzir a proposta, de 11% para 7% da dotação orçamentária do município com gastos de pessoal – tirando desse perfil os professores e agentes de saúde, cujos custos têm verba garantida do governo federal. Mas a contraproposta apresentada pela prefeitura excluía benefícios garantidos como pó-de-giz. Léia informou também que os profissionais da Saúde da Família também não foram contemplados, “como se tivessem deixado de ser servidores municipais”, criticou.
Sem festejos
Na pauta apresentada à administração, além de condições de trabalho, o Sindsemp exige que o prefeito Júlio Lóssio (PMDB) adeque o Plano de Cargos e Carreiras (PCC) e respeite os níveis de formação e carga horária dos servidores – o que, segundo ela, não está acontecendo. Também quer a antecipação da data-base da categoria (de maio para janeiro), outro ponto divergente entre as duas partes.
Em meio às reivindicações, a presidente do Sindsemp bateu forte em relação à programação junina, anunciada recentemente por Lóssio. Segundo Léia, o prefeito alega que a crise financeira do município impede a prefeitura de atender às reivindicações da categoria, mas não o fato de gastar R$ 8 milhões nos festejos deste ano. “Só há crise para os servidores. Mas na hora de reajustar o próprio salário, de contratar cargos de apadrinhados e de anunciar o São João, aí não existe nenhuma crise. Se o município está em crise, alguém mente ao dizer que temos o que comemorar”, afirmou Léia, sobre os festejos.
Vereadores
A sessão foi conturbada em alguns momentos, já que vários servidores lotaram o plenário da Casa e vaiaram alguns vereadores da bancada governista. Um deles foi o próprio líder, Elismar Gonçalves, que se mostrou determinado na defesa da administração. “Já conversei com Léia, sei das dificuldades dos servidores, mas entendo também as dificuldades (financeiras) do governo. Na hora em que o prefeito enviar o projeto (de reajuste) a esta Casa, estarei do lado dos servidores. Mas hoje tenho um lado e defendo uma posição. Pelo fato de estar com o prefeito, não tenho que baixar a cabeça ou calar a boca”, desabafou.
Em contrapartida, os vereadores oposicionistas fecharam apoio ao Sindicato e garantiram levar o impasse até o último instante. O líder da bancada, Ronaldo Cancão (PSL), chegou a falar novamente em trancar a pauta, sendo contestado por sua colega Cristina Costa (PT), a qual afirmou que a prerrogativa é somente do presidente da Mesa Diretora, Osório Siqueira. Ronaldo, por sua vez, deixou claro que não votará nenhum outro projeto enviado por Lóssio enquanto a pauta dos servidores não for cumprida pelo Executivo, e foi seguido por alguns colegas da bancada.

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